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Fusão entre as empresas Suzano e Fibria resulta em mais de 400 desempregados no extremo sul baiano.

ByLéo Feitosa

abr 6, 2019

Em janeiro deste ano, foi anunciada finalmente a fusão da Fibria Celulose, maior empresa deste ramo no mundo, com a Suzano Papel e Celulose, o que resultou em um dos maiores monopólio do mundo na produção de papel e celulose na região do extremo sul baiano, local onde as gigantes concentram as suas operações de plantio e extração de eucalipto.

A Fibria é uma das três maiores empresas privadas do país que receberam dinheiro do BNDES, sob a forma de compra de ações, para que assim pudesse expandir as suas atividades e montar o que hoje é chamado de “monstro da celulose”.

Em comunicado, a Suzano informou que a companhia “terá uma nova marca e se chamará Suzano a partir da conclusão da reorganização societária”.

Presidente da atual Suzano Papel e Celulose, Walter Schalka

O presidente da atual Suzano Papel e Celulose, Walter Schalka, se manterá no comando da companhia combinada, juntamente o com o atual vice-presidente de finanças, Marcelo Bacci.

 

“A Suzano terá capacidade de produção de 11 milhões de toneladas de celulose de mercado e 1,4 milhão de toneladas de papel por ano.

A companhia contará com aproximadamente 37 mil colaboradores diretos e indiretos e 11 unidades fabris, capazes de abastecer mais de 90 países e gerar um volume de exportações de R$ 26 bilhões nos últimos 12 meses encerrados em 30 de setembro de 2018″, informou a Suzano.

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No entanto no extremo sul baiano o resultado imediato dessa fusão foi a rescisão de contrato com empresas terceirizadas, responsáveis por mais da metade da produção total, e empregadoras diretas de cerca de mais de 2 mil funcionários.

Maquinário pesado e funcionários já se aglomeram nos pátios das empresas terceirizadas.

Somente a Suzano Papel é Celulose por exemplo, rescindiu contratos com empresas prestadora de serviços na silvicultura, entre elas, a teixeirense GF SERVIÇOS FLORESTAIS, e com isso deixou mais de 470 funcionários terceirizados desempregados. Não houve estudo das consequências e impactos dessa monopolização para a região, e o dano social para as cidades circunvizinhas sera enorme, avalia inúmeros movimentos sindicais, que tentam negociar com as duas gigantes, e assim reverem a política de dispensa, evitando o inicio de um caos social e econômico para a região. 

Para o município de Teixeira de Freitas por exemplo, os impactos serão ainda maiores, afirmou o administrador de empresa, Eujacio Dantas em uma publicação na redes sociais disse;

“De janeiro a fevereiro de 2019, tivemos o pior saldo entre admissões e demissões dos últimos 3 anos.

Foram 1497 demissões e 1303 admissões, deixando um resultado negativo de 194 desligados.

Possuímos apenas 21.175 postos de trabalhos formais, se compararmos com Linhares-ES (que dista cerca de 230 km daqui e possui características populacionais parecidas com a nossa), a nossa situação fica ainda mais vexatória, pois a cidade capixaba, possui 73.294 pessoas empregadas formalmente, quase três vezes o nosso número.”

Com essa dispensa de funcionários a região extremo sul da Bahia viverá momentos difíceis em sua economia, e certamente o mercado local que já vem sofrendo com o alto índice de desempregados, não terá tem condições de absorver esse volume de mão de obra.

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Resta saber se não haverá qualquer intervenção dos governos estaduais ou até mesmo federal diante das gigantes que ignoram o impacto social de suas ações nas economias locais, sem ao menos lembrar que tal fusão, só foi possível, porque contou com dinheiro público, via financiamento do BNDES.

Por: Opinião Pública/ Da Redação/

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